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Eron Advogados • 18 de março de 2025

Quais são os direitos do trabalhador demitido sem justa causa?

Quais são os direitos do trabalhador demitido sem justa causa

Em caso de demissão sem justa causa, o trabalhador tem direitos como aviso prévio, férias proporcionais, 13º salário, FGTS com multa de 40% e seguro-desemprego.

A dispensa sem justa causa ocorre quando o empregador encerra o contrato de trabalho por iniciativa própria, sem que o funcionário tenha cometido falta grave. Nessas situações, a lei brasileira garante amparo ao profissional desligado, visando minimizar o impacto financeiro do desemprego. Conhecer esses direitos é essencial para exigir o cumprimento das obrigações legais. Geralmente, a empresa é obrigada a formalizar os motivos da dispensa apenas para cumprir normas de comunicação interna, sem detalhar qualquer conduta ilícita do empregado.


Entre os principais benefícios assegurados, estão o aviso prévio (trabalhado ou indenizado), o recebimento do saldo de salário, as férias proporcionais acrescidas de um terço, o 13º salário proporcional e a possibilidade de sacar o FGTS depositado com a indenização de 40% sobre o montante. Muitos consideram esses pontos os pilares dos
direitos do trabalhador demitido sem justa causa, pois ajudam a suprir despesas imediatas e a transição para um novo emprego.


Além disso, o profissional pode ter direito ao seguro-desemprego, caso cumpra os requisitos de carência e tempo de serviço. Esse benefício é pago em parcelas, conforme a quantidade de meses trabalhados, e tem o objetivo de garantir renda temporária enquanto se busca recolocação no mercado. Já para quem possui pendências financeiras, o valor das verbas rescisórias pode ser destinado ao pagamento de dívidas, evitando juros e negativação do nome.


O prazo para a empresa quitar as verbas rescisórias é de até 10 dias corridos a partir da data do desligamento. Caso esse prazo seja descumprido, pode incidir multa em favor do empregado. Também não se pode esquecer de verificar o histórico de depósitos do FGTS, assegurando que a conta vinculada esteja devidamente atualizada. Em muitos casos, essa verificação evita surpresas desagradáveis ou valores menores do que o devido.


Por fim, se houver desacordo sobre o cálculo ou pagamento, o trabalhador tem a opção de buscar uma solução amigável ou ajuizar uma reclamação trabalhista. É fundamental reunir holerites, extratos de FGTS e documentos que comprovem horas extras ou comissões, quando aplicável. Assim, o ex-funcionário consegue conferir se todos os direitos foram efetivamente honrados e, se preciso, solicitar a devida correção das verbas.

Lista dos principais direitos na demissão sem justa causa

  • Aviso Prévio (trabalhado ou indenizado)
  • Saldo de salário (pelos dias trabalhados)
  • Férias proporcionais + 1/3 constitucional
  • 13º salário proporcional
  • Saque do FGTS com multa de 40%
  • Seguro-desemprego (caso cumpra os requisitos)

Como calcular a rescisão trabalhista na demissão sem justa causa?

O cálculo das verbas rescisórias considera os dias trabalhados no mês da dispensa, as férias e o 13º salário proporcionais, além de eventuais adicionais previstos em acordo coletivo. Para descobrir o valor exato, some o saldo de salário ao total de férias ainda não gozadas (acrescidas do terço constitucional) e inclua a fração do 13º relativa aos meses trabalhados no ano corrente. A base de cálculo do aviso prévio (indenizado ou trabalhado) também integra a conta, aumentando o montante final.


Em seguida, verifique os depósitos no FGTS e aplique a multa de 40% sobre esse saldo. Se a empresa não realizou todos os depósitos corretamente, é possível requerer o ajuste antes de fazer o cálculo definitivo. Para facilitar, existem planilhas e simuladores on-line que auxiliam no passo a passo. Porém, em casos mais complexos, recorrer a um contador ou profissional de Recursos Humanos pode ser a melhor forma de evitar falhas ou omissões.


Além dessas parcelas, horas extras, comissões e adicionais noturnos ou de insalubridade podem impactar o valor da rescisão. É necessário verificar se o empregador efetuou o pagamento correto de cada item durante o contrato. Manter documentos organizados, como holerites, extratos bancários e contratos adicionais, ajuda a comprovar as diferenças devidas. Tudo isso assegura a clareza do processo, evitando prejuízos ao empregado desligado.

Quanto tempo o empregador tem para pagar as verbas rescisórias?

A legislação trabalhista estipula que a empresa tem até 10 dias corridos, a contar do término do contrato, para efetuar o pagamento das verbas rescisórias. Esse prazo vale tanto para os casos em que o aviso prévio é trabalhado quanto para aqueles em que é indenizado. Quando o empregador não cumpre essa determinação, fica sujeito a uma multa equivalente a um salário do profissional dispensado, conforme previsto na CLT.


Esse limite de tempo busca proteger o trabalhador de atrasos que poderiam agravar sua situação financeira no período de desemprego. Justamente por isso, é recomendável conferir se todos os valores foram quitados corretamente dentro do prazo. Se houver alguma pendência, o empregado deve documentar a irregularidade e, se necessário, acionar a Justiça do Trabalho para requerer a quantia devida.


Como prova, vale reunir comprovantes de pagamento, extratos de FGTS e eventuais conversas ou comunicações escritas com o RH da empresa. Essa precaução evita disputas prolongadas e dá mais solidez a uma possível reclamação. Assim, ficar atento à data de quitação das verbas garante que o profissional possa, sem demora, planejar suas finanças e buscar uma nova oportunidade no mercado.

Como proceder se a empresa não pagou as verbas rescisórias corretamente?

Se o pagamento estiver incompleto ou fora do prazo legal, a primeira atitude deve ser tentar solucionar a questão de forma amigável, enviando notificação à empresa para que efetue o acerto. Em muitos casos, o diálogo resolve o problema sem precisar abrir um litígio formal. Ainda assim, é importante reunir todos os comprovantes de cálculo e eventuais holerites para provar o valor devido.


Caso o empregador se recuse a corrigir o pagamento, o passo seguinte é buscar a Justiça do Trabalho por meio de uma reclamação trabalhista. O trabalhador deve apresentar documentos que comprovem o vínculo empregatício, a data de dispensa e os valores não quitados. Nessas ações, o juiz analisará as provas e determinará, se houver procedência, o pagamento das diferenças, além de possíveis multas e indenizações.


Além disso, o funcionário tem até dois anos após o fim do contrato para ajuizar a reclamação, podendo requerer até cinco anos de direitos retroativos ao período em que esteve empregado. Assim, é essencial acompanhar de perto a quitação das verbas e agir rapidamente, se necessário. Essa postura evita prescrição de prazos e garante que o ex-colaborador possa efetivamente receber o que lhe cabe.

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